Um plano responde a uma pergunta: dado o que o cliente usou no período, quanto ele paga?

O que é um plano
Um plano é a estrutura de preço completa de um serviço. Ele vive dentro de um produto, tem um nome, e descreve como uma fatura é calculada a partir do consumo de um cliente. Um plano contém uma lista de cobranças. Cada cobrança é uma regra de precificação isolada — um “item de preço” com sua própria lógica. Somadas, todas as cobranças do plano compõem o valor total que o cliente paga a cada ciclo de faturamento. Pense num plano como uma tabela de preços: cada linha é uma cobrança, com sua regra própria. O sistema calcula cada uma separadamente e soma tudo no final.Os tipos de cobrança
Todo plano é composto por cobranças de quatro tipos. Você pode combinar quantas quiser (com uma exceção: a franquia mínima tem limite de uma por plano).Cobrança fixa
Valor cobrado em toda fatura, independente de qualquer consumo. Não precisa de recurso, não depende de uso — é simplesmente um valor que aparece na fatura toda vez. Use para: mensalidades, taxas de plataforma, fee de suporte, licença de base, qualquer custo recorrente que não varia. Você pode ter múltiplas cobranças fixas no mesmo plano. Por exemplo: uma mensalidade de R$ 500 e uma taxa de suporte premium de R$ 200 — são duas cobranças fixas separadas que aparecem como itens distintos na fatura.Exemplo na fatura:
Franquia mínima
A franquia mínima funciona como um piso para o subtotal monetário do plano antes dos descontos. O sistema soma as cobranças fixas, as cobranças por volume e as cobranças por licença faturadas na moeda padrão. Se esse subtotal ficar abaixo da franquia, adiciona somente o complemento necessário. Cobranças liquidadas em créditos não entram nessa comparação. Como os descontos são aplicados depois, o valor final da fatura pode ficar abaixo da franquia. A lógica é simples:- Se o subtotal monetário já ultrapassou a franquia → ela não tem efeito, o cliente paga o valor normal
- Se o subtotal ficou abaixo da franquia → o sistema complementa a diferença até atingir a franquia
Exemplo — franquia mínima de R$ 2.000:Cenário A — cliente usou pouco:
Cenário B — cliente usou bastante:
O subtotal (R$ 1.300) é menor que a franquia (R$ 2.000), então o sistema complementa.
Cenário B — cliente usou bastante:
O subtotal (R$ 4.000) já ultrapassou a franquia — ela não entra.
Cobrança por volume
Cobra conforme o uso real do cliente no período. É o tipo mais flexível e o coração da cobrança baseada em consumo. Para funcionar, uma cobrança por volume precisa de duas coisas:- Um recurso — a métrica que mede o consumo (requisições de API, usuários ativos, GB armazenados, volume transacionado em reais, etc.). O recurso define o que é medido.
- Um modelo de precificação — a regra que transforma o consumo medido em um valor em reais. O modelo define como o uso vira cobrança.
- Valor fixo da cobrança — um valor cobrado toda fatura só por essa cobrança existir, independente do consumo. É o “custo de disponibilidade” do recurso.
- Valor mínimo da cobrança — um piso garantido para essa cobrança específica. Se o cálculo do consumo resultar em menos que o mínimo, o sistema complementa até esse valor.
Exemplo — cobrança por volume com valor fixo e mínimo:Cobrança por requisição de API: R$ 0,01 por requisição, com valor fixo de R$ 100 e valor mínimo de R$ 500.Cenário A — cliente fez 20.000 requisições:
- Uso: 20.000 × R$ 0,01 = R$ 200
- Valor fixo: + R$ 100
- Subtotal da cobrança: R$ 300
- Mínimo (R$ 500) não foi atingido → complementa
- Valor final da cobrança: R$ 500
- Uso: 80.000 × R$ 0,01 = R$ 800
- Valor fixo: + R$ 100
- Subtotal da cobrança: R$ 900
- Já ultrapassou o mínimo → cobra normal
- Valor final da cobrança: R$ 900
Franquia mínima vs. valor mínimo da cobrança: a franquia mínima compara o subtotal monetário elegível do plano antes dos descontos. O valor mínimo atua somente sobre uma cobrança por volume específica, depois de somar o consumo e o valor fixo dessa cobrança. São mecanismos independentes e podem coexistir.
Cobrança por licença
Cobra uma quantidade que a sua aplicação reporta, em vez do volume agregado de um recurso. Enquanto uma cobrança por volume soma o consumo do período, uma cobrança por licença usa a última quantidade conhecida do cliente: usuários ativos, filiais, dispositivos. Ela aponta para uma licença do catálogo, e não para um recurso. Os modelos de preço são os mesmos por quantidade — por unidade, por pacote e por faixas —, com os mesmos complementos de valor fixo e valor mínimo. O modelo percentual não se aplica, porque uma quantidade não tem base monetária. No modelo por unidade, a caixa de seleção pró-rata muda o que o ciclo cobra: em vez de faturar a última quantidade de forma integral, cada mudança de quantidade no meio do ciclo vale proporcional aos dias restantes. Saiba mais → Use para: qualquer cobrança por unidade contratada que sobe e desce ao longo do tempo.Exemplos de planos completos
Plano simples — SaaS com mensalidade pura
Fatura do cliente: R$ 299,00 todo mês, independente do uso.
Plano usage-based — pague pelo uso
Cliente fez 100.000 requisições e usou 50 GB:
- API: 100.000 × R$ 0,005 = R$ 500
- Armazenamento: 50 × R$ 2 = R$ 100
- Fatura: R$ 600,00
Plano híbrido — mensalidade + uso + franquia
Cliente A — transacionou R$ 50.000:
- Mensalidade: R$ 1.000
- Transações: 2% × R$ 50.000 = R$ 1.000
- Subtotal: R$ 2.000
- Franquia (R$ 3.000) não atingida → complemento de R$ 1.000
- Fatura: R$ 3.000
- Mensalidade: R$ 1.000
- Transações: 2% × R$ 200.000 = R$ 4.000
- Subtotal: R$ 5.000
- Franquia ultrapassada → sem efeito
- Fatura: R$ 5.000
Plano enterprise — múltiplas cobranças por volume
Cada cobrança aparece como um item separado na fatura, com seu próprio detalhamento.
Criar um plano no Dashboard
- Acesse Planos no menu lateral
- Clique em Adicionar Plano
- Dê um nome ao plano (ex: “Starter”, “Pro”, “Enterprise”) e selecione o produto
- Adicione as cobranças que compõem o plano:
- Para cobranças fixas: defina o valor
- Para franquia mínima: defina o piso
- Para cobranças por volume: selecione o recurso, escolha o modelo de precificação, configure os preços e faixas
- Para cobranças por licença: selecione a Licença do catálogo, escolha o modelo de precificação, configure os preços e faixas
- Salve o plano
Ordem de cálculo na fatura
Quando a Aira gera uma fatura, o cálculo segue esta ordem para cada plano:1
Calcula cada cobrança por volume
Para cada cobrança por volume, o sistema pega o consumo do recurso no período, aplica o modelo de precificação, soma o valor fixo da cobrança (se houver) e aplica o valor mínimo da cobrança (se houver).
2
Calcula cada cobrança por licença
Para cada cobrança por licença, o sistema pega a última quantidade conhecida de cada cliente do escopo do contrato, aplica o modelo de precificação, soma o valor fixo da cobrança (se houver) e aplica o valor mínimo da cobrança (se houver). Em cobranças pró-rata, o valor é a quantidade do início do ciclo mais um ajuste proporcional por mudança, em vez da última quantidade integral.
3
Soma as cobranças fixas
Adiciona o valor de cada cobrança fixa ao total.
4
Aplica a franquia mínima
Se existe franquia, compara o subtotal com o valor mínimo. Se o subtotal for menor, complementa até a franquia.
5
Aplica descontos
Descontos recorrentes do contrato e descontos manuais são aplicados sobre o total.
Próximos passos
- Modelos de precificação — entenda em detalhe como cada modelo calcula o valor da cobrança, com exemplos numéricos
- Versionamento — saiba como editar planos sem afetar contratos existentes
- Contratos — vincule planos a clientes