Quando você cria uma cobrança por volume em um plano, precisa escolher um modelo de precificação. É esse modelo que define a regra de cálculo: como o consumo do cliente vira um valor na fatura.

Qual modelo escolher?
Cobranças por licença usam os mesmos tipos de preço por quantidade — unitário, pacote e fixo por faixa —, com faixas progressivas ou faixa única. O tipo percentual não se aplica: uma quantidade não tem base monetária. No preço unitário, cobranças por licença também aceitam o modo pró-rata.
Por unidade
O modelo mais direto: cobra um preço fixo por cada unidade consumida. Fórmula: quantidade consumida × preço unitárioCenário: empresa de infraestrutura cobra R$ 0,05 por requisição de API.
Quantidade inclusa (free tier)
Você pode definir uma quantidade que não é cobrada — as primeiras N unidades saem de graça. A cobrança incide apenas sobre o excedente.Cenário: R$ 0,05 por requisição, com 50.000 requisições inclusas.
O cliente sempre pode usar até 50.000 requisições sem custo. Só paga pelo que passar.
Por pacote
Cobra por blocos de unidades. Se o cliente usou qualquer fração de um pacote, o pacote inteiro é cobrado. Arredonda sempre para cima. Fórmula: ⌈ quantidade consumida ÷ tamanho do pacote ⌉ × preço do pacoteCenário: empresa de comunicação cobra R$ 80 por cada pacote de 1.000 SMS.
Loja D usou 1 SMS a mais que 5 pacotes cheios — paga pelo sexto pacote completo.
Com quantidade inclusa: R$ 80 por pacote de 1.000 SMS, 2.000 SMS inclusos.
Percentual
Cobra uma porcentagem sobre um valor monetário que o cliente movimentou. Ideal para taxas proporcionais ao volume financeiro (take rate, taxa de intermediação, fee sobre pagamentos). Fórmula: valor transacionado × percentual O percentual é configurado em pontos-base (basis points) para permitir máxima precisão:- 100 pontos-base = 1%
- 250 pontos-base = 2,5%
- 50 pontos-base = 0,5%
- 10.000 pontos-base = 100%
Cenário: plataforma de pagamentos cobra 2,5% (250 bps) sobre o volume transacionado.
O modelo percentual exige que o recurso associado seja do tipo monetário — ou seja, ele mede valores em reais (como volume transacionado, valor de pedidos, GMV), não unidades discretas (como requisições ou mensagens).
Faixas de preço — conceito geral
Os quatro modelos a seguir usam faixas de preço: tabelas onde o preço muda conforme o volume do cliente. Antes de ver cada modelo, é essencial entender os dois modos de distribuição.Precisão dos cálculos: valores monetários de consumo são considerados com precisão de centavos, e percentuais são configurados em pontos-base. Cada resultado faturável é arredondado para o centavo mais próximo, com meio centavo arredondado para cima. Em modelos por faixas, cada faixa é arredondada separadamente antes da soma.
Modo progressivo
O volume é dividido entre as faixas, como uma tabela de imposto de renda. Cada parcela do consumo é cobrada pelo preço da faixa em que ela cai. Os preços podem aumentar ou diminuir conforme o volume. Em uma tabela de desconto por volume, as primeiras faixas normalmente são mais caras e as faixas posteriores ficam mais baratas.Modo faixa única
O volume total determina qual faixa se aplica, e todo o consumo é cobrado pelo preço daquela faixa. Só uma faixa é usada. O cliente paga um preço uniforme por tudo — o preço da faixa em que seu volume total se encaixa.Comparação lado a lado — mesmo volume, mesmas faixas, modos diferentes:Faixas configuradas:
Cliente consumiu 6.000 unidades:Progressivo:
Cliente consumiu 3.000 unidades:Progressivo:
- Faixa 1: 1.000 un × R$ 10 = R$ 10.000
- Faixa 2: 2.000 un × R$ 7 = R$ 14.000
- Total: R$ 24.000
- 3.000 cai na faixa “1.001 – 5.000” → preço de R$ 7
- 3.000 × R$ 7 = R$ 21.000
Cliente consumiu 6.000 unidades:Progressivo:
- Faixa 1: 1.000 × R$ 10 = R$ 10.000
- Faixa 2: 4.000 × R$ 7 = R$ 28.000
- Faixa 3: 1.000 × R$ 4 = R$ 4.000
- Total: R$ 42.000
- 6.000 cai na faixa “Acima de 5.000” → preço de R$ 4
- 6.000 × R$ 4 = R$ 24.000
Faixas unitárias
O preço por unidade muda conforme faixas de volume. Cada faixa define seu próprio valor unitário. Funciona nos modos progressivo e faixa única.Cenário real — plataforma de API com desconto por volume (progressivo):
Startup — 80.000 requisições:
- Tudo na Faixa 1: 80.000 × R$ 0,010 = R$ 800
- Faixa 1: 100.000 × R$ 0,010 = R$ 1.000
- Faixa 2: 200.000 × R$ 0,007 = R$ 1.400
- Total: R$ 2.400
- Faixa 1: 100.000 × R$ 0,010 = R$ 1.000
- Faixa 2: 400.000 × R$ 0,007 = R$ 2.800
- Faixa 3: 1.500.000 × R$ 0,004 = R$ 6.000
- Faixa 4: 1.000.000 × R$ 0,002 = R$ 2.000
- Total: R$ 11.800
Valor fixo por faixa
Cada faixa pode opcionalmente ter um valor fixo adicional — cobrado uma vez por ter tocado aquela faixa. Funciona como uma “taxa de acesso” àquela faixa.Exemplo: faixas unitárias com valor fixo na faixa 2:
Cliente consumiu 1.500 unidades (progressivo):
- Faixa 1: 1.000 × R$ 5 = R$ 5.000
- Faixa 2: 500 × R$ 3 = R$ 1.500 + R$ 500 (fixo) = R$ 2.000
- Total: R$ 7.000
Faixas percentuais
A taxa percentual muda conforme faixas de volume financeiro. Funciona exatamente como as faixas unitárias, mas ao invés de preço por unidade, cada faixa define um percentual.Cenário real — plataforma de pagamentos com take rate regressivo (progressivo):
Lojista pequeno — transacionou R$ 80.000:
- Tudo na Faixa 1: 3% × R$ 80.000 = R$ 2.400
- Faixa 1: 3% × R$ 100.000 = R$ 3.000
- Faixa 2: 2% × R$ 250.000 = R$ 5.000
- Total: R$ 8.000 — taxa efetiva R$ 8.000 ÷ R$ 350.000 = 2,285714…%, exibida como 2,29% após arredondamento para duas casas decimais
- Faixa 1: 3% × R$ 100.000 = R$ 3.000
- Faixa 2: 2% × R$ 400.000 = R$ 8.000
- Faixa 3: 1,5% × R$ 1.500.000 = R$ 22.500
- Faixa 4: 1% × R$ 1.000.000 = R$ 10.000
- Total: R$ 43.500 — taxa efetiva R$ 43.500 ÷ R$ 3.000.000 = 1,45%, valor exato
Exige recurso do tipo monetário — como volume transacionado, valor de pedidos, GMV.
Faixas fixas
Cada faixa tem um valor fixo fechado. O volume total determina em qual faixa o cliente cai, e ele paga o valor daquela faixa — não importa a quantidade exata dentro dela.Faixas fixas sempre usam o modo faixa única — o volume total determina a faixa, e uma faixa só é cobrada.
Cenário real — SaaS com pricing por faixa de usuários:
Note que a Agência B com 35 usuários paga o mesmo que pagaria com 50 — o valor é fixo dentro da faixa.
Cobrança por excedente (overage)
E se o cliente ultrapassar a última faixa? Você pode configurar um preço por excedente — um valor unitário (ou percentual) cobrado para cada unidade acima do limite da última faixa. Sem excedente, a última faixa é aberta (como Acima de 200). Ao ativar o excedente, a última faixa passa a ter um limite finito (como 201 – 500), e o excedente é cobrado a partir da unidade seguinte.Exemplo com excedente:Para cobrar excedente acima de 500 usuários, limite a última faixa a
201 – 500 e configure R$ 12 por usuário excedente a partir do usuário 501. O valor de R$ 2.999 continua sendo a base da última faixa.O valor da última faixa serve como base, e o excedente é cobrado por unidade acima do limite.
Faixas personalizadas
Permite misturar regras diferentes em cada faixa. Uma faixa pode cobrar um valor fixo, outra pode cobrar por unidade, outra por pacote, outra por percentual — sem restrição de homogeneidade.Cenário real — modelo híbrido de API (progressivo):
Cliente com 250.000 requisições:
- Faixa 1: R$ 200 (fixo)
- Faixa 2: 90.000 × R$ 0,008 = R$ 720
- Faixa 3: 150.000 × R$ 0,005 = R$ 750
- Total: R$ 1.670
- Faixa 1: R$ 200 (fixo)
- Faixa 2: 90.000 × R$ 0,008 = R$ 720
- Faixa 3: 400.000 × R$ 0,005 = R$ 2.000
- Faixa 4: ⌈300.000 ÷ 10.000⌉ = 30 pacotes × R$ 40 = R$ 1.200
- Total: R$ 4.120
Valor fixo e valor mínimo por cobrança
Independente do modelo de precificação escolhido, toda cobrança por volume pode ter dois complementos:Valor fixo da cobrança
Um valor adicionado à cobrança toda fatura, independente do consumo. Mesmo que o cliente não use nada do recurso, esse valor aparece. Analogia: é como uma “taxa de disponibilidade”. O cliente paga para ter o recurso disponível, mais o que consumir.Exemplo: cobrança por unidade (R$ 0,01/req) com valor fixo de R$ 150.
- Cliente usou 0 requisições → paga R$ 150 (só o fixo)
- Cliente usou 50.000 requisições → paga R$ 150 + R$ 500 = R$ 650
Valor mínimo da cobrança
Um piso para essa cobrança específica. Se o cálculo do consumo + valor fixo resultar em menos que o mínimo, o sistema complementa.Exemplo: cobrança por unidade (R$ 0,01/req) com valor mínimo de R$ 300.
- Cliente usou 10.000 requisições → cálculo dá R$ 100 → abaixo do mínimo → paga R$ 300
- Cliente usou 50.000 requisições → cálculo dá R$ 500 → acima do mínimo → paga R$ 500
Diferença importante:
- Valor mínimo da cobrança = piso para uma cobrança individual específica
- Franquia mínima do plano = piso para o plano inteiro (soma de todas as cobranças)
Compatibilidade no Dashboard
Nem todo modelo funciona com todo tipo de recurso. Aqui está o que combina com o quê:
Esta tabela mostra as opções oferecidas pelo Dashboard. A validação da API não aplica hoje todas essas restrições de forma simétrica; consulte a referência da API ao criar planos fora do Dashboard.
Próximos passos
- Criar planos — monte planos combinando cobranças fixas, franquias e cobranças por volume
- Versionamento — edite planos sem impactar contratos existentes
- Licenças — cobre quantidades reportadas, como usuários ativos ou filiais
- Contratos — vincule planos a clientes